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Simpe SC

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Nos próximos dias estará em discussão no plenário da Câmara dos Deputados a PEC 005/2021, que altera a composição do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), de autoria do Dep. Paulo Teixeira e outros, tendo como relator na Comissão Especial, o Dep. Paulo Magalhães.
Em síntese, o texto original da PEC propôs:

(1) A representação do Ministério Público da União passa a ser segmentada entre as carreiras do Ministério Público Federal, Ministério do Trabalho e Ministério Público Militar, contemplando-se 3 vagas, distribuídas entre esses ramos; 
(2) Supressão da vaga do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios – MPDFT. A partir de agora, o MPDFT concorrerá com os Ministérios Públicos estaduais para a indicação das 3 vagas destinadas a esse segmento; 
(3) A possibilidade da indicação de ministros de tribunais superiores para composição do Órgão;
(4) Inclusão de uma vaga de membro do Ministério Público, escolhido alternadamente pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, e;
(5) Eliminação da exigência de que o Corregedor Nacional do Ministério Público seja escolhido dentre os membros da instituição. 

O CNMP foi concebido pela Reforma do Judiciário como um órgão de controle externo da atuação do Ministério Público Brasileiro. Sua estrutura constitucionalizada não é estática nem imune às transformações do constituinte derivado. As próprias representações classistas e institucional dos membros destacaram isso em suas manifestações na Audiência Pública da Comissão Especial, instituída para discutir a PEC 005/2021, ocorrida em 4 de agosto deste ano.

Durante a audiência pública, a FENAMP, ANSEMP e SINDMPU, entidades representativas dos servidores do MPU e dos MPEs, defenderam inclusão de representação de servidores no âmbito do CNMP, uma vez que a tentativa de emenda anteriormente proposta com esse fim não logrou êxito, por ausência de apenas 16 assinaturas. Na ocasião, lamentavelmente, nem a CONAMP, nem o CNPG, tiveram a sensibilidade de reconhecer em suas falas legitimidade ao nosso pleito.

Em 07/10/2021, o relatório do Dep. Paulo Magalhães foi apresentado, com algumas alterações adicionais, das quais destacamos: 

(1) O Vice-Presidente e o Corregedor do CNMP seriam indicados pelo Congresso Nacional, dentre os membros do Parquet; 
(2) Atribui ao CNMP iniciativa de lei complementar destinada a instituir um novo Código Nacional de Ética e Disciplina, abrangendo membros e servidores do MP, e também o Ministério Público junto às Cortes de Contas nas três esferas federadas; 
(3) A possibilidade do CNMP rever ou desconstituir atos que violem o dever funcional dos membros, após a devida apuração em procedimento disciplinar ou em procedimento próprio de controle, quando se observar a utilização do cargo com o objetivo de se interferir na ordem pública, na ordem política, na organização interna e na independência das instituições e dos órgãos constitucionais; 
(4) A cristalização de controle político dos PGJs sobre os Conselhos Superiores, já que caberia a cada procurador-geral a escolha de 2/3 do Conselho Superior do órgão.

Entendemos que o teor inicial da PEC não apresentava riscos ao Ministério Público em sua essência e não interferia no desempenho das funções institucionais. Uma verdadeira reforma do órgão de controle externo do Ministério Público deveria ser pautada pelo aprofundamento da democracia interna e pela pluralidade de representações no seio da sua composição, e que isso deveria ser feito em um amplo debate com diversos setores da sociedade.

Por isso, as entidades representativas dos servidores reivindicam, desde o início de sua tramitação, apenas uma alteração pontual: a inclusão dos servidores do MPU e dos MPEs na sua composição. Infelizmente, mesmo com toda a fundamentação apresentada para tal pedido, até o momento, esse entendimento não foi acolhido. Seguiremos reivindicando esta medida, dentro da PEC 005/2021, se ela prosseguir, ou fora dela.

Ademais, lamentamos que as representações nacionais dos membros e da Instituição – CNPG e CONAMP – não reconheçam a importância do papel que nossa categoria tem na Instituição, sendo legítimo o nosso pleito a também fazer parte da instância de controle externo do Ministério Público Brasileiro: o CNMP.

Destarte, diante das inovações contidas no substitutivo do relator, destacamos as seguintes considerações:

– Entendemos que não há problema em se eleger um corregedor nacional entre os integrantes do CNMP, mesmo que tal seja um não membro da Instituição. Porém, não podemos concordar que tal função seja exercida por determinado conselheiro, escolhido diretamente pelo Congresso Nacional, ainda que este tenha sido escolhido entre membros do Ministério Público.
– A constitucionalização de regras de procedimento disciplinar focados em membros e servidores da instituição se apresenta como uma medida abusiva, um verdadeiro exagero, já que tais previsões poderiam ser discutidas pelas casas legislativas no debate em torno da legislação complementar proposta pelo relator. 
– A adoção de prazos prescricionais altíssimos, mais rigorosos que os próprios prazos aplicados na legislação penal é medida que não deve prosperar.
– A inclusão dos servidores do Ministério Público no chamado Código de Conduta do Ministério Público Brasileiro revela que o deputado relator reconhece a importância do trabalho desenvolvido pelos servidores, mas lamentavelmente e, de forma controversa, não eleva os servidores a serem merecedores de um espaço Institucional no CNMP.
– A mudança na forma de composição dos Conselhos Superiores é um grande revés na democracia do Ministério Público, revelando medida de controle político sobre as decisões dos Conselhos Superiores.
– Caso não seja acolhida a tese da inclusão de representação dos servidores no Conselho, que ao menos a definição dos nomes de integrantes do CNMP, oriundos da carreira dos membros do Ministério Público, seja feita por voto direto de seus membros e servidores, não ficando a escolha restrita aos procuradores-gerais.
– Por fim, entendemos que a atribuição do Conselho Nacional deve prosseguir sendo adstrita a atuação de fiscalização administrativa, financeira e correicional, não devendo incidir sobre a atuação finalística dos membros do Ministério Público.

A FENAMP e a ANSEMP seguirão atuando junto ao Congresso Nacional em relação à discussão da PEC05/2021, sempre se pautando pela defesa da ampliação da democracia no Ministério Público e pelo fortalecimento do CNMP como órgão de controle externo da Instituição.

Nos últimos anos, sobretudo após o golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff, falou-se muito em responsabilidade fiscal no Brasil. Leis foram criadas a esse respeito, diretorias de governança foram implantadas em todos os lugares, Tribunais de Contas e Ministério Público responsabilizaram nominalmente gestores por cada centavo gasto ainda que estes estivessem submetidos a decisões colegiadas em universidades, estatais e outros setores públicos.

Mas o relator da PEC 32, deputado federal Arthur Maia (DEM-BA), disse em Seminário realizado na Fiesc que a reforma administrativa, com todos as alterações que serão trazidas para o funcionamento dos serviços públicos federais, estaduais e municipais em todo o país, pode ser feita sem colocar o impacto fiscal no centro da questão.

Em 2020, 22,9 milhões de crianças e adolescentes foram matriculados em escolas públicas municipais, isso corresponde a quase metade (48,4%) de todas as matrículas no ensino básico brasileiro. Apesar de responsáveis pelo trabalho mais pesado, os municipários são os que ganham os menores salários no setor público, em média R$ 2,9 mil bruto por mês.

Já o total de matrículas nas escolas públicas municipais, estaduais e federais chegou a 38,5 milhões, contra 8,8 milhões na educação privada. Isso significa dizer que pelo menos 8 em cada 10 crianças e adolescentes matriculados no ensino básico brasileiro estão na rede pública, sob a responsabilidade de servidoras e servidores.

Ao precarizar as relações de trabalho dos servidores públicos em todos os níveis, a reforma administrativa terá impactos negativos na vida de milhões de jovens em todo o Brasil.

Com informações do IPEA e do Ministério da Educação.

 

Um dos problemas reais do serviço público brasileiro é a existência de uma casta privilegiada que apesar de extremamente pequena se comparada à massa dos servidores, não deixa de ser escandalosa. Salários acima do teto constitucional, dois meses de férias por ano, foro privilegiado, além de uma série de benefícios pecuniários e vantagens pessoais.

Apesar das ilusões vendidas pelo relator da PEC 32, deputado federal Arthur Maia (DEM-BA), a reforma administrativa não veio para acabar com esses privilegiados, mas para assegurar de vez a posição dessa casta por meio daquilo que o próprio deputado chamou de “carreiras exclusivas de estado”.

 

 

Em 2020, o governo Bolsonaro gastou R$ 554,5 bilhões para combater o coronavírus e aquilo que pode ser a maior crise da história da humanidade. Também em 2020, os juros pagos pelo governo aos banqueiros e especuladores chegaram a R$ 1,38 trilhão, o equivalente a quase 40% de tudo que o Brasil arrecada ou duas vezes e meia do investido no combate à pandemia.

Em 2019, banqueiros e especuladores receberam do governo R$ 1,37 trilhão em juros da dívida pública, valor que correspondeu novamente a cerca de 40% de tudo que o país arrecada. Isso quer dizer que eles não colaboraram com um centavo para combater um vírus que já matou mais de 550 mil pessoas no Brasil.

Mas ao aprovar a PEC Emergencial para financiar o combate à pandemia, Paulo Guedes usou o termo “granada no bolso do inimigo” para se referir ao congelamento dos salários dos servidores. Agora, Bolsonaro e Guedes querem aprovar a reforma administrativa, penalizar mais uma vez os servidores e seguir beneficiando banqueiros ricos.

Com informações da Agência Senado e auditoriacidada.org.br

 

O maior dos problemas causados por políticas públicas baseadas em opiniões e preconceitos, mais até do que o prejuízo financeiro que elas certamente custarão aos bolsos dos contribuintes, é a perda de vidas humanas para a fome, para a ignorância e para a violência resultado da ausência dos serviços públicos que nada mais são do que o patrimônio de quem não tem patrimônio.

Fazer generalizações criminosas, como fez o relator da PEC 32, deputado federal Arthur Maia (DEM-BA), durante Seminário na Fiesc, ao dizer que os professores compram diplomas para ganhar promoções equivaleria a dizer que todo político é ladrão. Nenhuma das duas coisas é verdade, apenas preconceito.

Em meio a pandemia, 12,8% da população brasileira, cerca de 27 milhões de pessoas, sobrevivem com menos de R$ 250 por mês e outros 19 milhões enfrentavam a fome até o final de 2020. Ao mesmo tempo, dados de 2019 mostram que o 1% mais rico concentra 28,3% da renda no Brasil.

O país fechou o primeiro trimestre de 2021 com quase 15 milhões de desempregados e a segunda maior taxa de desocupação desde 2012. Além disso, cerca de 35 milhões de trabalhadores, 40% da população ocupada, estavam na informalidade até o fim de maio deste ano.

Mas ao invés de fomentar a economia, o governo Bolsonaro reduziu o auxílio emergencial, permitiu que as empresas diminuíssem jornadas e salários na iniciativa privada e agora quer aprovar a reforma administrativa para reduzir os salários dos servidores públicos.

Com informações do IBGE, da FGV, da ONU e da Rede PENSSAN.

 

Sindicato serve para quê? A resposta, em setembro, vale as nossas vidas*

Essa pergunta volta e meia aparece quando os Sindicatos buscam convencer os trabalhadores sobre a importância de se filiar e fortalecer a luta coletiva. A resposta, neste mês de setembro, é ouvida em todos os cantos do Estado e vale as nossas vidas. Ela é forte e vem de mais de 25 Sindicatos ligados ao Fórum dos Servidores Públicos de Santa Catarina. Esses Sindicatos se uniram e juntaram esforços e recursos em uma *Campanha de Mídia inédita* para barrar, nos próximos dias, a explosão dos direitos de todos nós.

Está para ser votada, no Congresso Nacional, a chamada Proposta de Emenda à Constituição 32, batizada de “Reforma” Administrativa, um projeto que vai estraçalhar o estado brasileiro.

Os Sindicatos unidos estão alertando para esse perigo em mensagens divulgadas em rádios, carros de som e panfletagem em cinco cidades e em textos e ilustrações nas redes sociais. Juntos, os Sindicatos do Fórum já fizeram campanha de outdoors para pressionar os parlamentares catarinenses a votarem contra a projeto e organizaram dezenas de reuniões e atos na rua em várias ocasiões desde o início do ano. Agora, em meio à pandemia de Covid-19, iremos a Brasília lutar para que o projeto não passe.

A tal reforma acaba com os concursos públicos e traz de volta o “cabide de empregos”, que beneficia quem é amigo da autoridade no poder. Os servidores atuais poderão ter jornada de trabalho e salário reduzido em até 25%. Os novos, se conseguirem fazer algum concurso, vão receber menos pelo mesmo trabalho feito hoje. Conquistas históricas, como a redução de jornada, serão eliminadas de um dia para outro. A dita reforma também abre as portas para as empresas tomarem conta do que hoje é serviço público pela via das terceirizações. Isso significa que ela não pega apenas os servidores públicos. Toda a população, especialmente a mais empobrecida, ficará ainda mais desassistida. Essa “reforma” é morte.

Está em risco um patrimônio duramente conquistado por tantas gerações de trabalhadores e trabalhadoras que, em décadas passadas, não se calaram e fizeram a luta coletiva. Sindicato então é para seguirmos juntos, mais longe, com a ousadia dos que, em tempos passados, nos legaram direitos, antes que seja tarde, antes que esses direitos nos sejam tirados. O desafio é grande, mas somos grandes também.

O preço do acém, carne de segunda, subiu mais de 40% nos últimos 12 meses, mas o presidente Bolsonaro fez um churrasco no Palácio da Alvorada em maio deste ano e não pagou um centavo pela picanha de boi da raça Wagyu, de origem japonesa, avaliada em R$ 1.800 o quilo.

Até o frango e o ovo, fontes de proteína que tradicionalmente substituem a carne bovina na mesa dos brasileiros, subiram 18,5% e 7% nos últimos 12 meses. Mas o ministro Paulo Guedes diminuiu o auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 150, R$ 250 ou R$ 375.

Além de cortar a carne da mesa dos brasileiros com uma política econômica que trouxe a inflação de volta, Bolsonaro quer “cortar na carne” dos mais pobres ao precarizar serviços públicos de saúde e educação por meio da reforma administrativa.

Com informações do IBGE e do Governo Federal.

Em Seminário realizado na Fiesc, o relator da PEC 32, deputado federal Arthur Maia (DEM-BA), afirma categoricamente que Paulo Guedes ignorava determinados impactos que o projeto elaborado pelo próprio Ministro traria se fosse aprovado da maneira que foi enviado ao Congresso Nacional.

Isso é mais uma prova de que a Reforma Administrativa não é baseada em estudos técnicos, mas no preconceito contra os servidores existente apenas na cabeça de quem desconhece a realidade da população mais pobre do Brasil que tanto depende dos serviços públicos.

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